quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Passear contigo pelos caminhos da ventura


De mão dada, queria ir passear contigo
Pelas ruelas e  caminhos da felicidade
Esquecer mágoas, tristezas, a saudade
Nostalgias sofridas  pela vil agrura
Poder dedicar-te poemas de candura
Abrir o coração, sussurrar o que sinto
Mostrar-te como lacrimeja o meu olhar
Como escorre verdade do meu pensar
Queria amar-te, ir  passear contigo
Desbravar  os caminhos da saudade
Mas hesito. Penso que não consigo
A nostalgia não nos deixa caminhar
Pelos carreiros dos sorrisos da ventura
Pelos horizontes do amor e ternura
Onde, contigo, tanto desejava estar.
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O GRITO DO SILÊNCIO DOS AFLITOS


Olho o além-mar. Ouço os ruídos do silêncio
O deslizar das ondas. Rochas parecem mover-se
Em namoro com a água que ondula tão airosa
Num vai e vem em cadência sigilosa
Não sabendo quando e onde deter-se
.
Um barco mareia no silêncio do meu olhar
Navega envolto no nada de coisa alguma
Diluem-se as ondas. Respiro o ar da solidão
Sinto compassada a minha respiração
Ao ouvir os gritos do silêncio da espuma
.
Ouço o rebentar do sossego da ondulação
Os desatinos dos silêncios dos meus gritos
O vento acaricia o meu corpo de malícia
E do além traz-me a silenciosa noticia
Que o ciciar das ondas, é o grito dos aflitos
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Tempestade entre Silêncios


Não brilham as estrelas, sopra um frio vento
Chove. Fecham-se as janelas à firme negrura
Vidraças molhadas. Altera-se o pensamento
Surge o triste sorriso através da noite escura
-
Isoladas vozes ouvem-se no silêncio da rua
Abafadas pelo troar dos intrépidos trovões
Chega a tempestade. É a Ana que vem nua
Para amaldiçoar almas e enxutos corações
.
Nome de mulher. A Ana que chega molhada
Traz vida, felicidade, quiçá sólida enxurrada
Que a pessoas e campos, oferece simpatias.
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Árvores nascendo. As queimadas agradecem
As sementeiras ressurgem, se engrandecem
Pelas barragens deixarem de estar tão vazias
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sábado, 9 de dezembro de 2017

Escrevo quando a imaginação existe



Escrevo quando a imaginação existe
E sinto que minha alma se completa
Alegre é o momento de não ser triste
Não sei se escrevo por ser poeta
.
Sinto em mim palavras tardias
Que me afluem ao pensamento
Durmo de noite, ando nos dias
Sempre ao sabor do leve vento
.
Não sou pobre, não sou rico
Sou remediado no que faço
Não sei se vou se aqui fico
A controlar o meu cansaço
.
Sei que escrevo, por enredo
Sobre a gaivota, sobre o mar
Até que um dia fique quedo
Sem forças para continuar
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Quando o grito da alma morre nos silêncios da saudade


Se o meu amor fosse irreal, como irreal é o pensamento
Olhar-te-ia de frente e com verdade te diria desde logo
Que és para mim a doçura, a felicidade, o fel tormento
Que sinto no meu peito como flechas ardendo em fogo
.
Se não te amasse não sentia em mim esta dor inflamada
Que me trava a concepção e faz vaguear na noite escura
Caminharia pela génese da palavra em trejeitos de nada
E não te ofertava este ateado amor em gestos de ternura
.
Se o amor que sinto na alma fosse como um sonho tido
Decerto que o meu choroso coração já tinha esquecido
E no meu peito apenas haveria sentimento de lealdade
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Nascem as flores em campos sem cultivo, abandonados
Só a nostalgia vegeta por devaneios gélidos, inacabados
Quando o grito da alma morre nos silêncios da saudade
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domingo, 3 de dezembro de 2017

Não és o meu amor por me apetecer




Não és o meu amor por me apetecer
És porque te amo e assim desde logo
Guarda-te meu coração por te querer
És nele a robustez do intrépido fogo
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Quero ter-te porque assim o desejo
Poder possuir-te, contigo caminhar
Trocar por amor um delicado beijo
Roubar-to se não o quiseres trocar
.
Quero-te em minha cama de amor
Formosa, como uma pétala de flor
Amar-te como nunca havia amado
.
Beijar-te, tocar-te com muito carinho
E na doçura de um molhado beijinho
Deslizar em teu corpo húmido, suado
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sábado, 2 de dezembro de 2017

Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos


A vida é o poder da essência que de repente
Toca no coração baladas lindas de sentidos
Odes de nostalgia, escritos que lentamente
Me fazem recordar dos teus doces sorrisos

Noites de amor. Vagidos de gozo suavizado
Pelo afecto da tua pele destilada na minha
Os teus lábios beijando o meu corpo suado
Eco dos teus beijos em sonância meiguinha
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Palavras meladas, entram em meus ouvidos
Como melodias escritas em folha de malícia
Amor indizível que meu coração atraiçoou
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Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Numa noite sonhada por teu amor em caricia
Nunca vividas apenas por quem nunca amou
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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Subi a serra queimada e, olhando à minha volta ... triste, chorei


Subi a serra queimada
Triste, seca, desolada
Antes fértil, agora abandonada
Caminhei através das cinzas
Árvores nuas, acastanhadas
Cabisbaixo, cheguei ao cume
Torpe destruição feita pelo lume
Sentei-me numa pedra gasta e suja
Olhei o vazio da encosta
No céu uma nuvem negra
Pairando sobre a devastação
Uma ave poisa num pau queimado
Olha para mim, parece admirado 
Outra ave igual esvoaça junto dessa
São testemunhas da solidão
Parecem esperar a Primavera
Desejam fazer ali o seu ninho
Mas onde, em que raminho
Nada vem a ser o que era
Levantei-me, devagarinho
Comecei a descer a encosta
Pedi que as cinzas partissem
Que outras árvores voltassem a nascer
Que novas vidas ali consigam viver
Namorar, procriar, sobreviver
Olhei à minha volta
Na vastidão das cinzas, pensei
Não, não há volta
E dentro da minha revolta
Chorei
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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Meu coração suspira alto, em amor profundo

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Meu coração suspira alto, em amor profundo
Minha alma vagueia em alheação destroçada
Navego por lágrimas molhadas deste mundo
Idealizando que vives em meu olhar de nada
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Amei-te do alto da dor, coroa do sentimento
Caminhei através d'um acreditar desvairado
Foi o amor, frio mundo de deslumbramento
Em que vaguearam meus olhos apaixonados
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Foi a luz do sol testemunha de doces beijos
Trocados por amor, em flagelados desejos
Pensando que nos teus lábios havia paixão
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Foi a luz do luar, vigilante do meu carinho
Quando te confessava meu amor, baixinho
E tu sorrias dos desvarios do meu coração
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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Chega a noite, abro a janela, luar de ternura


Chega a noite, abro a janela, luar de ternura
Ideio o teu sorriso na luz serena das estrelas
Luar é testemunha do meu olhar de procura
Afloram ao meu sentir e não sei entendê-las
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São a luz dos teus lábios em libido perfume
Noite esculpida pela nostalgia do teu fulgor
Brilho do teu corpo me queima como lume
Na amena aragem que me refresca de amor
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Janela aberta, onde debruço o pensamento
Onde o teu reflexo é um negro sentimento
Dentro dos efeitos das estrelas iluminadas
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Chega a noite, abro a janela, doce aragem
Refresca a minha alma pela tua passagem
No utópico das noites de amor, esvaziadas.
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Autor: Eu,