quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Areais de Além-Mar em Amor Celestial


Sento-me sobre a frescura do areal
Ouço os murmúrios das ondas, chegando
Em estímulos de uma viagem terminada
Voltam as águas, ternamente ao mar
Parecendo namorados se beijando
Onde o mundo é um pouco de nada.
.
Olho o além. Um barco navega indiferente
Envolto pela nebulosidade de cor nenhuma
Pés molhados. Sinto os suspiros dos areais
Perco-me no irreal e num olhar envolvente
Embriago-me na suavidade da alva espuma
Onde os meus delírios são silêncios fatais
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Aprecio a agitação das ondas no seu chegar
Que abafam os esgares do meu pensamento
Acalma-se o meu corpo pelo fresco da maresia
Perguntam as ondas porque chora o meu olhar
Não lhe sei responder, porque se calhar
São a fonte e a ternura da minha fantasia
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sábado, 27 de outubro de 2018

Amor sentido na solidão dos silêncios


Hoje, pelas 16H00, estive presente, no Encontro de Poesia, na Biblioteca Municipal Ary dos Santos - Sacavém, onde li o poema, da minha autoria, que se segue:

São os teus olhos o meu caminho de fresca paisagem
Que me inebria os sentidos no silêncio do entardecer
Como um barco que encara as ondas na sua viagem
Assim é o teu olhar, que perfuma, todo o meu viver
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Sendo as estrelas, um campo florido, pétalas de amor
Que espalham em meu coração o aroma da esperança
Silenciando os sentidos que embargados na doce flor
Afluem ao meu olhar o mélico sorriso de uma criança
.
Através do teu amor, qual emoção na noite silenciada
Pelos desvarios do imaginário na sua livre caminhada
Desatinos do meu coração que de afecto tanto padece
.
Afasto os lençóis, desligo a luz, e no sorriso da ilusão
Afasto a tristeza de sem ti, viver o silêncio da solidão
Sentindo como o meu ego, pensando em ti, adormece
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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Folhas caídas sem vida


(foto minha)
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Neste jardim ergue-se a vida maltratada
Folhas caídas, entrelaçadas em desamor
Ontem viçosas, hoje beleza amortalhada
De um encanto que perdeu todo o vigor
.
Folha traída por um Outono sem perdão
Lindas flores que perfumaram o recanto
Hoje jazem qual mortalha de ingratidão
Esquecidas por quem as enalteceu tanto
.
Unem-se as folhas numa agonia sem cor
Vencidas pela tempestade e … desalento
Outrora perfumando em alegria sem dor
São agora folhas sufocadas pelo lamento
.
Parecem sussurrar num choro incontido
Numa prece vazia em escolha resignada
Folhas mortas por um tempo concebido
Onde a vida é tudo, no implacável nada
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sábado, 13 de outubro de 2018

Máculas de envolvência



É meu amor, ondas do mar em movimento
Inspirado na força da aragem, mero desejo
Deixo nos areais minhas preces e lamento
Esperando que das águas surja o teu beijo
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Fecho os olhos, penso em ti, me atormento
Por não ser a voz, qual harmonia em chama
Na crueldade da dissonância do sentimento
Que me arde na alma e meu sorriso inflama
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Vagas no vago dos círculos da vil ventania
Molham e secam as máculas da fina ironia
Quando as ondas se beijam tão longamente
.
Que nosso amor perdure no tempo devido
Que nunca se sinta pelas marés, envolvido
E que a ondulação nos abrace, novamente
.

sábado, 29 de setembro de 2018

Conhecer-te foi loucura



Recordo as horas vividas, cansadas
Chegou o Outono, a água nos ribeiros
Folhas caindo, ventos primeiros
Gotas rebeldes, ondeiam transviadas
.
Encontrei-te na história, vida incerta
Sonhos e fantasia, passos e esteiros
O teu olhar, versículos verdadeiros
Doação da mente, beijo na hora certa
.
É teu corpo a poesia, a sensibilidade
A luxuria, o momento, a suavidade
A encosta mais alta da doce ternura
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Perdi-me por entre ondas, nos medos
Na carência, na magia dos degredos
Onde conhecer-te foi a maior loucura

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Lago fresco e profundo


Fosses tu um lago fresco e profundo
Onde eu nadasse nos dias de calor
Esfriando minha alma num segundo
Nas tuas frescas águas de amor
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Fosses tu uma gota em lago sentido
Em que meu corpo ficasse molhado
E o meu coração fosse arrefecido
Nas belas ondas do teu corpo amado
.
Fosses tu apenas um sonho inacabado
Onde viajasse o meu corpo cansado
Nas melodias inseparáveis do canto
.
Serias o lago, a flor, o fresco da vida
A voz conselheira, a dor consentida
Neste meu coração que te ama tanto
.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Arestas do coração em linhas cruzadas.



Quero confessar-te auréolas misteriosas
Factos da vida. Do meu coração ausente
Que  por carinho deambula, infelizmente
Solitário, por cercanias muito perigosas
.
Confessar-te ao ouvido, tão longamente
Palavras nunca ditas, alvas, silenciosas
Tão ingénuas e cruas, puras, carinhosas
Que sobram no meu coração tão carente
.
Falar-te de coração aberto, meu carinho
Dizer-te que não faz sentido o caminho
Se não merecer o teu amor e companhia
.
Que coisas misteriosas serão esquecidas
E as palavras serão para sempre retidas
Nas linhas cruzadas, das arestas do dia
.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Viver sem tempo


Se uma voz rouca soasse em tempo
Quando o tempo por si, escurece
Ninguém diria em destempo
Que tem aquilo que merece
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Não o diria, porque dizendo
Iria contra as leis da vida
Pois existe a voz do querendo
Que mesmo assim não tem saida
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Talvez um grito de amor abafado
Por um qualquer contratempo
Seja o grito de um coração cansado
Cansado pelo próprio tempo
.
Tempos existem de sol e vida
Outros, de total incompreensão
Nem sempre a voz mais querida
Sabe falar dentro do coração
.
Talvez as palavras sejam ditongos
De um tempo de principio, meio e fim
E quando os tempos são longos
Não exista tempo para viver assim

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Olhando o Mar em sonho Infinito


É o mar uma paisagem que me leva ao sonho infinito
O namoro das ondas que se enlaçam em fino desvario
Areia arrastada pela maré que sem rumo nem quesito
Embeleza a jornada da embarcação de ondular bravio
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Rebelião em que o ondear pode ser áspero e sombrio
Sol que nasce e aquece o além de um amor flagelado
Pelas agruras da imensidão que no seu viajar e estio
Se esquece de refrescar sentimentos do sonho gelado
.
Soltam-se as amarras do barco pelas ondas aneladas
Fecham-se os anseios em viços e quimeras cansadas
Caminha-se pelos sentimentos num sonho sem fim
.
Abrem-se sorrisos por o além ser réstia do esplendor
Passos retraídos pela ausência do tão almejado vigor
Dentro da solidão de uma alma enfeitada de jasmim

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

AMOR EM DESATINO

( Imagem da net )
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Amo-te muito, sei que é muito e nesse muito
Está todo o muito de mim
Amo-te tanto, uns dias sorrindo, outros em pranto
Não de lágrimas correndo, nos becos do entretanto
Porque isso é mágoa, é tristeza sem fim
Sei que te amando assim, fortemente
Entoa em meu coração, uma voz inconsciente
Talvez um amor intolerante, exagerado
Romântico, maravilhoso, sem início nem fim
Que soa no pensamento num silêncio magoado
É assim que eu te amo, num amor carente
De uma forma desajeitada, num tudo ou nada
Mas é esse o meu jeito
Sim amo-te muito, neste meu modo de amar
Talvez não o saiba mostrar
Mas sei que este amor que por ti, sinto
Não consigo fingir, não minto
Se te disser que esse amor, faminto
Quase não cabe dentro do meu peito
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